Teoria na prática
Escrito por juste em Abril 18, 2008
Cena 1
Distraída com meu almoço, tento decifrar o que diabos está acontecendo com o Chicago Cubs na tela em cima do balcão. Dizem que baseball tem regras. Eu duvido. Percebo que o cara sentado logo abaixo da tela me olha. Um senhor, mais de 40 anos, engravatado, cara de executivo. **Bêbado**. Completamente bêbado às 2h30 da fucking tarde. De cinco em cinco minutos, ele vira o pescoço e fica me encarando. Em certo momento, bate o copo no balcão, vira, derruba uma cadeira e caminha em minha direção, literalmente trombando em tudo. O bar inteiro olha. “Ok, fodeu”.
- You are a beeeeeautiful woman.
- Thank you.
- I wish I had a chaaaaaaance with you…
- …
- Do I have a chaaaaaaaance with you?
- Sorry, no hablo inglés.
- Can I, pleeeeeeeeease, have a chaaaaaaaaance with you?
Tenta puxar a cadeira à minha frente, perde o equilíbrio, derruba a cadeira, fica olhando com cara de assustado para o chão até que o mamute que cuida do balcão o convida a se retirar.
Temo pela vida dos dois rapazes ao meu lado, que parecem que vão ter uma parada respiratória de tanto dar risada.
***
Cena 2, duas horas depois
Caminho pela rua. Páro em frente da loja da Apple, “eu preciso dizer que te amo” em minha cabeça. Um velhinho surge à minha frente. Pergunta se eu sei atirar. Acho que não entendi a pergunta, mas é isso mesmo.
- Can you use a gun?.
Ok, medo.
- No, sorry, bye.
E ele saca um megafone. Eu ju-ro. Começa a gritar que os comunistas russos vão dominar o mundo e iniciar a terceira guerra mundial. Que eles já mataram mais de quatro milhões só no Afeganistão (heh) . Que “nós, americanos” (heh), precisamos nos armar para enfrentar a ameaça comunista. Que eu preciso defender meus filhos (heh) e comprar armas, porque os comunistas querem guerra com a América.
Depois de sete dias aprendendo os efeitos neurológicos do alcoolismo e do Alzheimer, é sempre interessante ter uma experiência prática.


