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Da série ‘crônicas de volante’

Escrito por juste em Maio 6, 2008

Há diversos tipos de chatos no mundo. Mas há um círculo especial do inferno dos chatos reservado aos caras que dão seta pedindo passagem e ficam grudando na sua traseira dentro do túnel Ayrton Senna congestionado. Eu digo “caras”, porque não encontro até hoje evidência de um ser do sexo feminino com essa obsessão pela seta pedindo passagem. É sempre homem. Deve ter alguma coisa fálica aí envolvida.

O túnel estava devagar. De-va-gar. Velocidade média 35 km/h. Veja bem, eu também não queria estar a 35 km/h. Às 23h de uma segunda-feira, eu queria estar a 135 km/h em direção à minha cama. Mas estava lá eu, aos 35 km/h, como absolutamente TODOS os veículos ao meu redor. E esse cidadão indo para frente e para trás, dando seta, levantando o braço, dando o que na minha terra se chama de “pití”.

E a vontade é virar e dizer “querido, meu bem, meu anjo, vamos pensar? Tipo, dá para olhar para o lado e ver que *não há* por onde eu me enfiar para te dar passagem neste túnel con-ges-tio-na-do? E que mesmo que eu dê seta e me enfie ali em um espaço inexistente, forçando alguém a frear bruscamente e possivelmente causando um engavetamento tudo, tudo, *tudo* que você vai conseguir é acelerar a 37 km/h pelos dois metros que meu veículo ocupava até grudar na traseira do pobre cidadão à minha frente, que também segue a 35 km/h, como, aliás, todo o santo mundo por aqui?”

E ele segue lá, tão focado na seta e na luz alta que não vê o horizonte preenchido por faróis vermelhos à nossa frente até que chegamos ao fim do túnel e vemos na saída um carro que conseguiu a grande proeza de bater na reta e que provavelmente pertencia a outro chato idiota.

Aliás, esse chato idiota (o da seta, não o da batida) estava dentro de um peugeot 206. É o segundo cara dentro de um peugeot 206 que eu vejo dando pití de macheza no trânsito nas últimas duas semanas. O que me leva à única conclusão possível: eles estão tentando compensar hormonalmente o fato de terem comprado um carro de menina. Só pode.

Uma resposta para “Da série ‘crônicas de volante’”

  1. Bruna Magarotti Disse:

    Perfeita conclusão.
    Concordo plenamente…
    Eu é que tinha que ter um 207!

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